A força feminina no mercado de trabalho

A força feminina no mercado de trabalho

 

“Eu gosto de ser mulher e gosto da mulher que sou”. Foi com esta mensagem que a presidente da ABRH-PR, Susane Zanetti, abriu um dos mais importantes eventos desta gestão da entidade, o Bom Dia RH – Mulheres Influenciadoras, que aconteceu em 04/04, no Hotel Bourbon. Susane estava se referindo às realizações e aos desejos que todas as mulheres anseiam em suas vidas e, ao mesmo, tempo da cobrança que elas sofrem. “Às vezes as pessoas mais cruéis somos nós mesmas. Não precisamos competir umas com as outras para podermos construir os nossos espaços”, disse. Para isso, é importante todas estarem cientes de sua relevância e importância em seus papeis.

 

O encontro foi aberto pela diretora de Eventos da ABRH-PR, Adriane Cordeiro, que falou sobre a edição de 2018 do Benchmarking Paranaense de Recursos Humanos e convidou a todos a participarem do estudo. “Nós que somos de Recursos Humanos sabemos como é importante ter informações e monitorar os indicadores”, afirmou. Adriane ainda falou sobre o XV Conparh, que será dias 24 e 25 de setembro na Fiep. Na sequência houve uma dinâmica com 20 mulheres influenciadoras em suas áreas de atuação, convidadas a contarem suas histórias e trajetórias inspiradoras. Foram elas: Alison Lubascher (Mulher Presidente BPW), Ana Iria (Mulher Empresária), Cláudia Cadenas (Mulher Executiva), Cláudia Lima (Mulher Previdência Complementar), Doralice Zanetti (Mulher Artista Plástica), Flávia Ohde (Mulher Saúde e Beleza), Giovana Soar (Mulher Cultura), Luciana Melamed (Mulher Cantora Lírica), Mari Martins (Vamos Mulherar o mundo), Maura Senes (Mulher nos Conselhos), Morgana Guzela (Mulher Prêmio Startup Curitibana), Valéria Siqueira (Mulher Inclusão), Rosa Maria Athayde (Mulher Empresária), Sônia Gurgel (Mulher e suas múltiplas carreiras), Symara Motter (Mulher Ministério Público do Paraná), Gislaine Queiroz (Mulher Empresária), Tathiana Canan (Mulher Presidente) e Maria Lourdes Santa (Mulher Raça e Etnia).

 

Painel Mulheres Influenciadoras

Intermediado pela vice-presidente da ABRH Brasil, Daviane Chemin, o painel “Mulheres Influenciadoras” teve a participação da diretora de RH – Talent Management da Electrolux, Tania Maranha, da presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB Paraná, Luciana Sbrissia Bega, e da executiva do Great Place to Work PR, Claudia Malschitzky.

 

Na sua abertura, Daviane falou sobre este movimento que reflete uma crença que ela acredita: a potência da troca de informações com base na experiência pessoal. “As histórias vividas, quando resgatadas, ensinam a todos, inclusive aos seus próprios protagonistas. Sabemos que quando gênero, raça, crença convivem bem em uma empresa, resulta em um ambiente inovador e pessoas realizadas”, disse. E logo ela passou a palavra às convidadas que se apresentaram ao público presente.

 

Claudia falou que no âmbito do GPTW já se está olhando para a questão das mulheres com intensidade. Mas ela ainda se surpreende que em outros pontos como o da etnia, por exemplo, não se avança. “Não vemos nenhuma mudança de um ano para o outro”, salientou. O GPTW passou a ranquear as empresas inclusivas com as mulheres, um trabalho que, segundo Claudia, começou com desconfiança e sem muita adesão. “As nossas perguntas são: há plano sucessório e cargos de gestão para as mulheres?”. Neste ano 40 organizações foram premiadas pela GPTW Mulher, mesmo sem atingir a porcentagem estabelecida em padrões internacionais de 30% de mulheres em cargo de liderança. No Brasil, foi reduzido para 15% para poder ter maior número de organizações inscritas. “Tenho algumas opiniões polêmicas e uma delas é que ao meu ver se as empresas não tiverem cotas, nós não iremos avançar, pois somos acomodados. As próprias mulheres são machistas, por isso precisamos deixar de sermos machistas para a situação avançar”, falou. Complementando, a diretora de RH da Electrolux, Tania Maranha, disse que segundo a Organização Internacional do Trabalho, de 1995 a 2015 a diferença de remuneração entre homens e mulheres só variou 0,5%.

 

Nesta mesma linha, a presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB Paraná, Luciana Sbrissia Bega adicionou o dado de que as mulheres ganham 30% a menos que os homens exercendo os mesmos cargos. Ainda, de acordo com Luciana, um estudo da Catalyst mostrou que nas empresas em que há a equidade entre homens e mulheres, os resultados são melhores em razão da diversidade. “A ONU também divulgou que se houvesse igualdade de oportunidades nas organizações mundiais, o PIB global aumentaria em R$ 28 trilhões. E o Banco Mundial afirma que a produtividade cresceria 25% caso as barreiras as mulheres em alguns setores fossem trabalhadas”, comentou.

 

Olhar positivo

Daviane questionou as painelistas quais os impactos na motivação das pessoas e nos resultados em empresas que possuam mulheres em posição de liderança. Primeira a falar, Tania apresentou dados de uma pesquisa interna da Electrolux que mostrou que o engajamento dos seus funcionários saltou de 57% em 2013 para 71% em 2016. Tendo como um dos seus motivos a evolução da liderança feminina em seus quadros. “Não pensem que é um ‘mimimi’ a questão de equidade de gênero. Está na pauta das grandes organizações porque traz negócios e dinheiro. É por isso que os grandes executivos debatem e exigem metas neste quesito”, disse. Como exemplo, ela citou o caso da própria Electrolux em que uma de suas metas é aumentar em 10% o número de mulheres em cargos de liderança. O que é um desafio, mesmo com números considerados relativamente bons, em primeiro nível, a empresa possui 40% de mulheres nesse papel, em segundo nível, 25%, em terceiro nível, 10%, e no mais alto, 8%. “Estamos com este trabalho de empoderar as mulheres a se inscreverem para as vagas e serem mais agressivas nas suas negociações, inclusive salariais”, explicou.

 

Luciana disse que todos possuem perfis femininos e masculinos. Trabalhar juntos é o que gera bons resultados. “Nós mulheres somos machistas sem querer. Isto é fruto de um processo histórico cultural”, complementou. Ela encerrou a sua participação falando sobre como vê a evolução da equidade de gêneros no ambiente profissional: adoção de currículos cegos, participação de processos de mentoria, capacitação das mulheres e engajamento dos homens.

 

Claudia destacou que é preciso falar sobre o tema, ocupar a cadeira, sensibilizar aqueles que tem a caneta e mostrar indicadores para provar que a equidade é fundamental. “Não temos que ocupar as calças dos homens, o nosso lugar é junto deles, estando de saia e salto alto”, disse. Ela finalizou com um dado do Banco Mundial em que afirma que 43% da força mundial de trabalho é composta por mulheres. E fez uma provação: “por que não ocupamos 43% dos cargos nas empresas?”.

 

A ABRH Paraná agradece a todos os participantes do evento e também aos seus patrocinadores de gestão: Klabin, Unimed Curitiba, CBN Curitiba, Gazeta do Povo, IT4CIO, Lima Lopes Advogados, Nex Coworking, Softcine, Winov, Hotel Bourbon, TOTVS, Universidade Positivo, Básica Comunicações, Odontoprev, Exal, Ação Integrada, Hospital Marcelino Champagnat, Teamwork Contabilidade, Explay Midia Digital, Senior e ECX Card. O próximo evento será o Boa Noite RH, no dia 6 de julho.

Por Adriana Mugnaini (Básica Comunicações)