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EditoriaRH / Saúde e Segurança


04.09.2008 as 09h00

Saúde de Executivos



Qual o limite da transparência quando a informação envolve estado de saúde de executivos?

Recentemente, o mercado mundial especulou sobre o estado de saúde do CEO da Apple, Steve Jobs, depois que ele apareceu bem mais magro durante uma conferência, em São Francisco (EUA). O executivo já havia sofrido uma cirurgia para a remoção de um tumor no pâncreas em 2003, quando foi divulgado que ele sofria de um tipo raro de câncer. Para aplacar a insegurança dos acionistas, a Apple informou oficialmente que o câncer fora completamente eliminado na cirurgia de 2003 e que executivo estaria bem de saúde. Para reforçar a informação, o próprio Jobs acabou concedendo entrevista a um jornal nova-iorquino reafirmando que se encontra saudável.

O caso, que voltou à baila este ano, traz à tona o conflito sobre o direito à privacidade individual em oposição ao direito coletivo à informação. No caso de empresas de capital aberto, pode ser considerado legítimo o direito dos acionistas de saber como andam os negócios da companhia em que investem, o que incluiria serem informados sobre a saúde de quem os dirige; por outro lado, é um valor da sociedade o fato de toda pessoa ter direito a um mínimo de recolhimento sobre sua vida privada.

Para o diretor-executivo de finanças da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Roberto Vertamatti, a iniciativa das empresas em divulgar informações sobre a saúde de seus principais executivos é positiva e demonstra uma atitude de jogo aberto com o mercado financeiro.

Já para o consultor de capital humano da consultoria Mercer, Willian Bull, o mais importante não é exatamente divulgar o estado de saúde do gerente principal da companhia, mas manter o mercado informado sobre as políticas de capital humano da empresa e deixar claro que há uma linha sucessória consistente. “Um executivo pode estar plenamente bem de saúde, sofrer um acidente e morrer; portanto, o que dá segurança aos acionistas é saber que a empresa está preparada para gerir imprevistos e que não vai ficar acéfala sem o atual CEO”, analisa Bull.

A presidente da consultoria Russell Reynolds no Brasil, Fátima Zorzato, ressalta que a divulgação de informações sobre as condições físicas de dirigentes de grandes companhias deve ser analisada pontualmente. Em princípio, Fátima considera a divulgação desse tipo de informação como uma invasão de privacidade, mas admite que a empresa pode procurar a melhor maneira de tratar o assunto, quando há vazamento da informação na mídia. “Se começa a haver especulação, o dirigente pode optar por falar do assunto e desenvolver a melhor estratégia para informar seus públicos de interesse ou ignorar o fato e deixar que os resultados da companhia falem por si”, afirma.

Na visão de Vertamatti, entretanto, os resultados da companhia podem sofrer efeitos mais daninhos devido a especulações do que em razão da notícia em si, mesmo quando negativa. Segundo sua avaliação, decisões em prol da transparência acabam sendo valorizadas pelos investidores, mesmo quando o fato não é positivo. “O mercado de ações é muito sensível e é provável que uma notícia de enfermidade de um CEO, por exemplo, cause queda no valor das ações da empresa inicialmente; mas depois, o mercado reflete e percebe o quanto a companhia foi correta em informar”, diz.

Vertamatti admite que a adoção desse tipo de prática no Brasil ainda deve levar tempo e ser precedida por divulgações evasivas e superficiais, mas acredita que, no futuro relativamente próximo, haverá mais tranqüilidade quanto a esse tipo de notícia. Para Bull e Fátima, a transparência quanto aos dados financeiros das empresas é direito dos acionistas, mas é fundamental preservar a intimidade dos funcionários, tanto os de nível operacional quanto os que ocupem cargos-chave nas organizações.

Daniela Lessa

fonte: CanalRH - www.canalrh.com.br

 


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