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Quando o professor Fabio Lubacheski, do Senac de São Paulo, começou a falar sobre o mercado de trabalho para programadores e desenvolvedores de softwares no Brasil, havia pouco mais de meia dúzia de jovens nas cadeiras e pufes ao redor do Palco Games, na Campus Party Brasil 2010. Aos poucos, o assunto foi se tornando mais específico: desenvolvimento de games. E a platéia ganhou corpo, chegando a atrair algumas dezenas de pessoas. O Brasil hoje representa 0,16% do faturamento mundial em games, de acordo com a Associação Brasileira de Desenvolvedores de Jogos Eletrônicos (Abragames), mas o professor e os presentes demonstravam convicção de que esta é uma realidade prestes a mudar.
“Países como Estados Unidos e Japão estão deixando de ver o Brasil como um mercado consumidor”, afirma Lubacheski. “Já possuímos maturidade profissional e conseguimos fornecer serviços; os brasileiros já desenvolvem partes de jogos para grandes empresas mundiais.”
Um exemplo recente foi uma inserção no mundialmente famoso Ragnarök (jogo online para múltiplos jogadores). Desenvolvedores brasileiros da empresa Level Up! criaram um novo ambiente virtual, o Território Brasilis, que inclui cenários como o Masp, a Catedral de Brasília, a Amazônia e as Cataratas do Iguaçu, por onde os jogadores podem passear.
Jogos para empresas
Existem cerca de 450 empresas de criação de games no Brasil. Mais de 40% da produção de software é exportada. No mercado interno, os produtos mais vendidos são jogos educacionais e jogos para empresas. “Aprender jogando é mais atrativo e os estudantes se sentem mais motivados”, acredita Lubacheski. “Mas a maioria dos games educativos serve apenas para exercitar o raciocínio lógico; as empresas, entretanto, conseguiram perceber as potencialidades do game e ir além, e utilizam esses softwares para recrutamento, seleção e treinamento de funcionários.”
Com os celulares 3G, que se conectam à internet, surgiu outro importante nicho de mercado: os games para celulares. “Você faz um joguinho para o Iphone e põe à venda na Apple Store cobrando US$ 1, e de repente já ganhou uma fortuna”, comenta o professor, dando o exemplo do Jogo da Velha – que logo que foi disponibilizado na loja virtual, foi baixado por cerca de 100 mil usuários, rendendo US$ 100 mil. “O criador ganho US$ 70 mil, porque a Apple cobra 30% para manter o serviço.”
Caça-talentos
Desde 2007, a Google promove no Brasil o Google Developer Day. O evento apresentou o Android, sistema operacional da companhia para dispositivos móveis (como celulares), para os desenvolvedores brasileiros. Os celulares com o Android ainda não estão disponíveis por aqui, mas, com a divulgação dessa plataforma, a expectativa é que a criação de aplicativos se popularize em pouco tempo. A Sony, dona do Playstation, também está de olho no mercado de desenvolvimento de games do Brasil. A empresa anunciou, em outubro de 2009, um projeto de capacitação entre estudantes e produtores nacionais para o desenvolvimento de games para PlayStation 2 e no PSP.
“Esse mercado tende a crescer”, afirma Lubacheski. “E, crescendo, vai precisar de profissionais com formação específica”. Hoje quem ocupa essas vagas no mercado são pessoas formadas em ciências da computação, análise de sistema, engenharia da computação, entre outros cursos.
Existem 19 cursos de graduação em jogos digitais no Brasil, mas muitos deles ainda não formaram a primeira turma. Há também profissionais especializados em linguagens ou plataformas específicas, como Flash, Java, Linux e outras. “Esse pode ser um diferencial no currículo durante um processo de seleção”, lembra o professor.
Entre os campuseiros (participantes da Campus Party), o número de especialidades é grande. A empresa YellowPages Brazil, portal de negócios para negócios (B2B), lançou durante o evento uma plataforma para cadastro de currículos, a YellowPages/Talentos. Flávio Sampaio, representante da empresa, conta que a expectativa era cadastrar cerca de 500 profissionais, mas em dois dias havia mais de mil inscrições no portal.
Entre eles, programadores, desenvolvedores, diretores de TI, webdesigners e especialistas em diversas plataformas. Os currículos serão disponibilizados para cerca de 1 milhão de empresas de diferentes áreas de atuação. “Os desenvolvedores de software brasileiros já são reconhecidos pelo mercado internacional”, lembra Sampaio.
Com o incentivo de grandes companhias como a Sony e o desenvolvimento crescente do mercado interno (a indústria de softwares de games no Brasil cresceu 28% em 2007 e 31% em 2008, de acordo com a Abragames), o Brasil tem potencial de competir internacionalmente e aumentar sua fatia no mercado mundial nos próximos anos, acredita o professor Fabio Lubacheski.
fonte: CanalRH - www.canalrh.com.br


