Confira a entrevista do presidente da ABRH Brasil ao portal UOL

Por Fabiana Futema, 6 minutos

pandemia ensinou a todo mundo que dá para trabalhar de casa. A questão é saber se esse método de trabalho será mantido quando tudo voltar ao normal. Para Paulo Sardinha, presidente da ABRH Brasil (Associação Brasileira de Recursos Humanos), chegaremos a um meio termo entre o home office total e o trabalho presencial.

“Vamos precisar chegar a um ponto de equilíbrio. Antes, éramos muito presenciais. Tínhamos capacidade para sermos mais virtuais, mas não acreditávamos nisso. A pandemia ensinou que podemos ser mais virtuais do que supúnhamos. Mas não podemos ser tão menos presenciais assim”, disse Sardinha.

Mas a produtividade não subiu com o home office? Por que não optar por esse modelo? Sardinha diz que não é verdade que todo mundo teve ganhos de produtividade com o teletrabalho. “A realidade é um pouco diferente. Algumas tiveram aumento de produtividade, enquanto outras não. O home office não é solução para tudo.”

Segundo Sardinha, é preciso considerar que uma coisa é o teletrabalho realizado em meio às restrições de circulação. “Agora, as pessoas estão em casa por obrigação. Mas a produtividade e a adesão ao teletrabalho podem mudar quando tudo estiver funcionando e as pessoas puderem sair para onde quiserem.”

E do que depende o retorno ao trabalho? O presidente da ABRH Brasil afirma que tanto funcionários quanto empresas precisarão fazer um grande pacto. “Todos viveram rupturas muito grandes. As pessoas tiveram rupturas de seus sonhos e as empresas de seus planos. O restabelecimento do trabalho vai exigir uma renegociação para seguir adiante.”

Segundo ele, esse pacto passa pelo esforço coletivo. “Não dá para sair sozinho da crise, precisamos sair em grupo. Nunca o coletivo fez tanta diferença.”

No caso do ambiente de trabalho, o esforço coletivo é que garantirá o cumprimento das regras de saúde e segurança no mundo pós-covid. “Não adianta a empresa ter um protocolo bem-feitinho de saúde e um funcionário não usar máscara e descumprir outras normas. Esse único funcionário, se for assintomático, pode colocar em risco os demais colegas”, afirma Sardinha.

O que a pandemia ensinou para os RHs das empresas? O presidente da ABRH Brasil diz que ficou evidente que as empresas têm de olhar mais para fora do que para dentro. “Questões como diversidade, sustentabilidade entraram no radar das empresas a partir de demandas da sociedade. É preciso olhar para a sociedade.”

E quais são os desafios para a volta ao normal? Segundo Sardinha, os maiores desafios da sociedade dizem respeito à educação, saúde e trabalho. “Temos uma defasagem de qualificação profissional muito alta. Se porventura tivermos uma recuperação rápida, teremos um déficit generalizado de mão de obra especializada.”

Retomada do trabalho não será tão presencial nem tão remota e dependerá do esforço coletivo