De alternativa temporária para solução definitiva

Empresas adotam o home office e mudam estilos de gestão

para se adaptar à nova realidade

 

O cenário tão inesperado da pandemia acelerou no Brasil uma tendência que é realidade em muitos países. O home office, a princípio, surgiu como alternativa para manter a prestação dos serviços no período do distanciamento social e, atualmente, está sendo reconhecido como o modelo mais adequado e eficiente para a realização de atividades.

 

Esse panorama pode ser ilustrado pelo resultado de recente pesquisa do Instituto DataSenado. Nos últimos meses, aponta o relatório, cerca de 21 milhões de brasileiros tiveram contato com o trabalho remoto. Desse total, dois terços atribuem o trabalho em casa à pandemia de Covid-19 e 41% garantem um aumento na sua produtividade após adotar o home office. O levantamento ainda demonstra que 58% dos entrevistados afirmam que estão preparados para realizar suas atividades nesse modelo e 49% perceberam uma melhora em seu bem-estar pessoal. Portanto, os números indicam uma adesão dos trabalhadores a um regime de trabalho que deve se manter em evidência após o fim da crise sanitária.

Dados do site de empregos Infojobs mostram que atualmente mais de 4 mil vagas abertas para trabalho remoto permanente. O formato home office passa de uma alternativa para um modelo definitivo em muitas empresas, trazendo mudança cultural, no estilo de gestão e até nos benefícios aos funcionários. Grandes companhias de vários setores adotaram o trabalho remoto em áreas em que a presença física pode ser interrompida como, por exemplo, tecnologia, comercial, jurídica e de serviços financeiros. Empresas também optam peço modelo híbrido, alternando dias de trabalho remoto com presencial.

As atividades exercidas em home office têm inúmeras vantagens para os funcionários e empresas:  liberdade para trabalhar de onde quiser, flexibilidade de horários, menos tempo gasto em deslocamentos, redução de custos com escritório, atração e retenção de talentos, possibilidade de contratar em qualquer lugar, menor exposição do funcionário a riscos, entre outros. Mas também agrega algumas desvantagens: menos convívio social e networking, sensação de estagnação na carreira, risco de não conseguir desconectar do trabalho e ter problemas de saúde, dificuldade de manter a cultura corporativa, necessidade de investir em Tecnologia da Informação e em adaptar o modelo de gestão de pessoas.

Na legislação brasileira não há regulamentação sobre o home office, mas alguns parâmetros gerais para o teletrabalho, previstos na reforma trabalhista de 2017.  O Ministério do Trabalho sugeriu diretrizes que contribuem para o entendimento entre as partes na construção das regras que deverão ser observadas no trabalho remoto. Nesse contexto estão: horas de trabalho, intervalos, equilíbrio entre o trabalho em casa com a vida pessoal, formas de controle da produtividade etc. Tudo indica que esse modelo de trabalho veio para ficar, portanto, as empresas buscam repensar espaços corporativos, estilo de gestão, avaliação entre outros pontos.